28.1.07

Expliquem-nos como se fôssemos mesmo muito burros....

Na última edição do jornal Terra Ruiva, a presidente da Câmara Municipal de Silves dá uma longa entrevista. Muito haveria para comentar (talvez ainda o venha a fazer, haja tempo!), tantos são os assuntos abordados. Mas uma coisa me prendeu a atenção, até porque já a ouvi noutro contexto. A Oposição, os presidentes de Junta, enfim, todos os outros, não percebem a presidente. É uma incompreendida!




Apetece conjugar o verbo Perceber:

Eu não percebo
Tu não percebes
Ele (ela) percebe
Nós não percebemos
Vós não percebeis
Eles (elas) percebem

Enfim, só a senhora presidente e eles(as) percebem. E no que diz respeito aos factorings (lá estão eles outra vez sem perceberem!) a senhora presidente puxa do Código Civil e diz que são aqueles em que a Câmara paga juros, pois quando assim não é são cessões de crédito. Desafio alguém a encontrar no Código Civil a palavra factoring (moderno anglicismo) pois o que ali se aborda são cessões de crédito, a expressão portuguesa. Uma e outra coisa são a mesma coisa. O que existem são factorings com recurso ou sem recurso, sendo que nos primeiros os credores assumem os riscos do não pagamento por parte dos devedores; nos segundos, a modalidade que agora tem sido mais usada pelos credores e que é um sinal da consideração que têm pela autarquia enquanto pessoa de bem que honra compromissos, são realizados sem recurso, assumindo as empresas credoras um juro para transmitirem o risco ao factor, leia-se, o banco.

Mas voltemos ao facto de não serem factorings, segundo a presidente, aquilo que se contratou designadamente com a Viga d'Ouro e, por tal razão, não ser obrigatória a sua aprovação em plenário camarário, onde curiosamente nenhum foi trazido. Será que o Banco BCP Millenium (um factor) não sabe do que fala, não é especialista na matéria? Então agora vejam o que este banco escreve na sequência do despacho presidencial que proíbe os pagamentos à citada empresa (clique aqui). Nem a senhora presidente sabe como classificar tal fórmula financeira já que na sua proposta trazida a reunião de câmara em 13 de Setembro (leia-se acta aqui, p. 50), ela própria diz que "esta Câmara não pode colocar em causa os compromissos já anteriormente assumidos por este Município (leia-se presidente, porque a Oposição não fora tida ou havida) junto de tal banco ao abrigo de contrato de Factoring."

E que dizer da PLMJ, o milionário gabinete de advogados que a presidente contratou à revelia do conhecimento da Oposição para acautelar a defesa do executivo permanente na sequência do processo Viga d'Ouro? Também não conhece o Código Civil ou os Dec.-Lei nºs 171/95 e 186/2002 que regulam os contratos de Cessão Financeira ou Contratos de Factoring? Por certo que não, já que também usam a maldita palavra factoring no parecer jurídico que realizaram a propósito da intenção de suspender os pagamentos à Viga d'Ouro! Apetece-nos parafrasear e, usando as palavras tão ao gosto da edil, dizer que "(...) eles continuam sem perceber e eu já não lhes consigo explicar mais."

Talvez se nos explicasse a todos nós, como se fôssemos mesmo, mesmo muito burros....!
Quiçá!?

11 comentários:

A.F. disse...

Dr. Manuel Ramos,
É, simplesmente,impressionante.

Sem mais comentários,julgo oportuno perguntar, até quando vamos ter de aturar esta situação, que cada vez se agrava mais e que nós Munícipes estamos a pagar?

Até o Burrico, que tão dignamente ilustra o seu post, parece estar surpreendido (note-se a sua pose, de boca aberta).

-Será surpresa por ter sido ultrapassado?
-Será simples espanto?
-Será porque também não compreende o que é uma operação de factoring, apesar do PLMJ?
-Ou, será que grita, na convicção de que a verdade está do seu lado, porque grita mais alto?
A.F.

Filipa Simões disse...

boa noite Drº Manuel Ramos,
e têm todos muita sorte em não serem louros, porque aí não perceberiam mesmo. Na próxima reunião DRº aconselho-o a pedir à Senhora Luminosa que lhe explique tudo como se FOSSE MESMO MUITO BURRO!!!.
Hilariante esta situação, mesmo muito.

josé meireles disse...

Dr. Manuel Ramos

A questão que vou levantar, não tem a ver com a operação de factoring porque toda a gente já percebeu, mas só a Srª. presidente é que teima em não perceber.
A questão tem a ver com o seguinte: No seguimento do meu comentário, escrito noutro post, sobre o prédio que está sendo construído entre o campo do Silves e o mercado, será que não há indignação sobre o que se está a construir em cima da avenida? Será que não há olhos que vejam que a construção está em cima das árvores que são património da comunidade? árvores essas que já não têm copa por ficarem debaixo das varandas! A avaliar o que por lá se passa, aquelas árvores de algum porte muito brevemente vão deixar de existir. E eu pergunto, com que direito tem um particular de destruir as árvores que estão no espaço público. Penso que esta situação deve ser denunciada em sessão de câmara e divulgada junto da população. É mais uma situação a juntar às outras do planeamento desconcertado.
Os meus cumprimentos.

Manuel Ramos disse...

Caro Senhor Meireles,
Justifica-se inteiramente a sua preocupação. Eu próprio, depois do seu alerta, olhei melhor e também não gostei do que vi. E na última sessão de câmara levantei a questão ao Arq. Matias. Perante a minha pergunta a própria presidente pediu-lhe que indagasse da coerência da situação com o projecto. Vamos ver o que me diz quarta-feira. Não lhe deixarei de perguntar...

Fernando Pires disse...

Oh meus caros, Daqui a uns meses, vai dizer-se assim! Aquelas árvores perturbam a vista das varandas! Temos de cortar. E sabem quem vai cortar? Os trabalhadores da Câmara, aquela Câmara que recebeu algum presuntinho ou algum queijinho para deixar esticar o projecto só mais uns metrinhos... Vamos esperar para ver! Caro José Meireles, quem nos dera que o planeamento fosse desconcertado, pelo menos existia!

Fernando Pires disse...

Talvez, na altura do corte das árvores, fosse bom aproveitar para ceifar a seara que existe entre a avenida e o rio! Talvez consigamos arranjar alguns tostões para abater no famos imi que tanto nos custa a pagar!

josé meireles disse...

Meus senhores aquelas árvores não vão chegar ao ponto de perturbar a vista, porque neste momento já perturbam a construção. Agora não percebo como é que um arquitecto aprova aquele projecto cujo paramento vai até ao passeio. No mínimo devia haver um recuo da nova edificação. Aliás se houvesse uma pequena rotação no sentido contrário aos ponteiros do relógio, com o observador virado a norte, associada a uma translacção, não era perdida nenhuma área de construção e até ficava de uma forma mais harmoniosa com a integração das árvores.
Obrigado pelo esclarecimento. Um abraço.

josé meireles disse...

Voltando à entrevista publicada no Terra Ruiva, gostaria de voltar ao parque de estacionamento. Como é que se aplica um pavimento que não dá garantias de durabilidade? Afinal que técnicos estão a acompanhar as obras do polis? é só para receberem o ordenado ao fim do mês?
Dr. Manuel Ramos reparou bem no que a Srª presidente dise na entrevista? "O empreiteiro tem relutância em abrir o parque porque os camiões podem estragar". Então onde vão ficar estacionados os autocarros (veículos pesados)? o parque é só para os ligeiros então e os pesados?
Estamos mesmo a ver que quando o parque for aberto aos utentes, volta a ser fechado para reparação. E irá ser sempre assim até que o actual pavimento seja substituido por outro com maior durabilidade e capacidade de carga.
Que grandes cabeças.
Siga a Marinha!

Manuel Ramos disse...

Não dá garantias porque a autarquia (ou o Polis) resolveu servir de cobaia a um pavimento de novo tipo que permite escoamento das águas pluviais sem esgoto. Mas é sensível pelos vistos, e ali não serão permitidos veículos pesados. Só no parque do Encalhe, o futuro terminal rodoviário.
Quanto à relutância do empreiteiro, bom, é a mesma que impede o Teatro de abrir ou concluir as obras em redor da Cruz de Portugal. Fiz-me entender?!...

Anónimo disse...

Porque é que o Sr. Manuel Ramos tem relutância em dizer aos leitores do seu Blogue que a empresa em causa e a Câmara estão em litígio com processo no Tribunal. e Porque não diz que ~q Direcção de Finanças de Faro também já pediu à Camara de Silves para facultar elementos sobre as obras entre essa empresa e a edilidade, por ofício e que desta vez a Câmata até foi célere a responder:estaremos em presença de outro caso Viga D?outo?.
O Sr. Ramos não sabia nada disto ou não lhe interessa falar?.

Manuel Ramos disse...

Não tenho relutância nenhuma, caro anónimo. Acontece que, sendo essa informação verdadeira, não me foi comunicada pelo executivo permanente. Como vê, talvez fosse célere a informar as Finanças mas quanto ao facto de ter processado essa empresa nada se disse aos vereadores não permanentes. Mais uma vez se confunde Câmara com executivo permanente. Se a autarquia entende mover acção contra alguém isso deveria ser alvo de deliberação camarária, é assim que entendo.